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Os 50 - Parte I



Hoje completo 50 anos de vida e o blog completa 3 meses com mais de 1.500 visitas. Confesso que não esperava tanto. Essa data é especial em todos os âmbitos. Estou muito feliz com o que tenho aprendido por aqui, com os novos amigos que fiz. Tenho seguido blogs muito bons como vocês podem ver. Deixo meu agradecimento especial a Carla e a Nina, pelo incentivo e pelo carinho desde o meu comecinho. São blogs que eu amo ler e me sinto presenteada pela forma como abordam temas tão simples e profundos. Tanto aprendo que fico sempre ansiosa esperando pelo próximo post J.
 “Exorcizo-me ao escrever e quando crio algo liberto as cores da minha alma”. (Paulette Nascimento)
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A mulher que se olhava detidamente através do espelho tinha uma expressão interrogativa nos olhos sonolentos. Tentou visualizar as pequenas rugas ao redor dos olhos, da boca ou na testa. Encontrou umas poucas que apareciam mais ao sorrir! Nunca foi adepta dos cremes e loções, mas pelo fato de estar vivendo em um clima frio teve que comprar alguns para hidratar mais a pele. Sabia que atualmente as fotos de perfil já não eram bem vindas, pois aquela infeliz papadinha teimava em aparecer. Ria divertida quando lhe perguntavam se já tinha feito plástica no rosto, pois não acreditavam que era mãe de um casal de filhos tão adultos e avó de um 3º neto que está a caminho. Sim, tinha feito uma plástica há 8 anos atrás, depois de emagrecer 17 kg, com o intuito de retirar a flacidez das mamas e do abdômen. Apesar disso sentia que com o peso dos anos começava a aparecer uma dor aqui, outra ali e ela, que nunca freqüentou uma academia de ginástica (apenas nadava de vez em quando), passou a caminhar duas vezes na semana para melhorar fisicamente.
Mantinha o mesmo tom negro do cabelo: era escrava dos retoques da raiz a cada 20 dias mesmo que dissessem que era sexy o seu cabelo branco. Já não liga para os comentários de que cabelo longo demais envelhece. Hoje em dia ela age a seu bel prazer. Leu em algum lugar que com a idade já não damos tanta importância às opiniões dos outros. Seria maturidade? Pensava que não. A idade e as experiências nos ensinam que apenas deixamos de querer agradar tantos aos outros e pensamos mais em nós.
Ela foi uma menina quieta, muito tímida e sonhadora. Passou a infância e a adolescência imaginando o dia que pudesse ter uma grande festa de princesa com um enorme bolo de vários andares, balões coloridos enfeitando um grande salão, os pais e os irmãos sorrindo felizes. Cada vez que entra em uma livraria ou loja especializada em produtos de festas se lembra desse sonho e pensa que é por isso que a fascinação pelos adesivos e enfeites infantis, continuam vivos dentro dela. Inventava e improvisava como podia as festinhas dos filhos porque sabia bem o significado disso no imaginário de uma criança.
Teve muitos namoradinhos platônicos. Sonhava com um jovem encantador que pudesse ter o coração tão cheio de amor quanto o dela.  mas a vida a levou ao um caminho com muitas pedras, grandes desilusões e desamor. 

(continua)



Feliz dia! 
"Plágio é crime: Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998". 
Todos os direitos reservados.

Da idade

Há mais ou menos 4 anos atrás eu estava em uma festa de brasileiros, lá na Espanha. Havia muita gente que eu estava vendo pela 1ª vez. No inicio da conversa é normal perguntarem quanto tempo você está no lugar, em que trabalha, etc. Naquela época, eu estava toda empolgada e também ansiosa, preocupada com uma prova muito difícil que se aproximava. Comentei ao grupo do meu antigo sonho de conseguir o título de espanhol para estrangeiros e que tinha chegado ali com esse fim. Eu fazia malabarismos para conciliar meu trabalho com os estudos. Agradecia a Deus pelas minhas patroas (eram duas) que compreendiam minha luta e eram super flexíveis nos meus horários. Trabalhava mais horas para compensar o tempo que gastava para ir ao curso que ficava em outra cidade e voltar. Foi assim por 2 anos.
No meio da conversa uma garota, de uns 25 anos mais ou menos, me olhou de cima a baixo, com desdém, e me disse: Não sei pra que, você com essa “idade”, veio pra cá pra estudar!
Que vontade de gritar, confesso! Tive que respirar fundo e em alguns segundos coordenar as idéias pra não ser grosseira. Sinceramente não sei de onde veio a calma que mantive ao responder. A raiva e a inveja contidas nessa pessoa eram notórias, claro! Quando comecei a falar todos os olhares se voltaram pra mim. Só a minha voz se fez ouvir e aí, não pude deixar de dizer: sou faxineira, às vezes babá, acompanhante de uma velhinha e lava-pratos em um restaurante nos fins de semana. Minha vida aqui é dura, tenho que trabalhar em vários lugares pra me manter. Sinto-me cansada, sozinha e muitas vezes triste por causa da saudade dos meus filhos, mas persigo o meu sonho, batalho muito pra isso. Sinto vergonha do meu povo que chega aqui “pra se dar bem”, que se mete em situações imagináveis para ganharem dinheiro e também das meninas que sujam o nome da mulher brasileira pela Europa.
Cada um vem pra cá com uma história, com um desejo e faz o seu caminho. O que me irrita e me entristece é que a maioria cospe no prato que come e ainda falam mal do país que os acolhe. Essas pessoas pequenas de sentimentos e cheias de ganâncias não valorizavam a oportunidade de crescimento pessoal, as oportunidades de aprenderem o idioma (que por sinal é oferecido gratuitamente pelo governo), da cultura e por aí a fora. Você está equivocada. Estudar ou aprender não tem nada a ver com a idade. Sinto falta das minhas criações (eu fazia mosaicos quando deixei o Brasil), das minhas poesias e relatos, das minhas costuras e bordados porque aqui não posso fazer nada disso. Tenho que trabalhar para sobreviver. Se você acha que estou velha pra estudar essa é a sua opinião e ainda bem que não concordo com ela. Eu tenho dois filhos em idades que se equiparam à sua e que estão na faculdade. Eu deixei o 2º ano de psicologia ao vir pra cá, sozinha, porque o que fazia já não me satisfazia. Então, quando chegamos a esse estágio na vida a hora é de mudança. Não me sinto velha pra fazer o que faço porque tenho uma ânsia de conhecimento que vai além da minha “idade”. Do alto dos meus 45 anos (nesse momento ela, surpreendida, arregalou os olhos por eu ter assumido os meus anos) me sinto orgulhosa dos meus avanços e cada vez quero mais. Se deixamos de sonhar isso significa que a vida deixou de pulsar dentro da gente. O meu corpo vai envelhecer, mas estou cuidado para que não aconteça o mesmo com meu cérebro. Agora me conta: o que você faz de legal com relação a isso?
Já dá para imaginar que ela não soube ou não teve o que me responder. Desconcertada, balbuciou algumas palavras de desculpa e algum minutos depois se afastou toda sem graça. As outras pessoas que participavam da conversa me apoiaram dizendo: Nossa, você deu uma lição nessa garota e ainda por cima em cima do salto. Na verdade a intenção não foi essa. Apenas me posicionei sobre o comentário maldoso dela. Da minha indignação inicial passei a sentir pena ao ver o quanto ela era despreparada e preconceituosa e isso, pra mim, também não tem a ver com a idade. Penso que tem a ver com personalidade, caráter, valores. Esses estereótipos são mesmo frutos  da mesquinhez de determinadas pessoas.
Quando fazia faculdade eu era a mais velha da turma e isso nunca me incomodou. Aliás, a idade nunca me incomodou e no final das contas surpreendia a galera porque sempre me diziam que eu não aparentava a minha idade real. Eu fiz amizade com a garotada que sempre me elogiava por estar ali. Viam-me como exemplo de esforço aliado à maturidade e experiência. No dia em que deixei a cidade fizeram uma surpresa linda, na rodoviária, com vários cartazes, música de despedida e fotos. Nem preciso dizer que chorei horrores. Guardo essa doce lembrança pra sempre!
Não tive as famosas crises dos 30 ou dos 40 anos. Em alguns dias vou completar meio século de vida e tenho pensado bastante sobre diversas coisas e como não poderia deixar de ser, sobre a minha velhice. Não estou em crise não. Só penso em ser uma velhinha antenada com o mundo e com saúde. Meus netos tem uma avó blogueira, trilíngue e artesã autodidata. Acho que vou deixar um legado rico de histórias e experiências interessantes pra contar pra eles.
No meu atual curso de inglês estudam comigo duas senhoras mexicanas de 60 e 70 anos respectivamente. Foi por essa razão que me lembrei dessa história. Essas pessoinhas simpáticas também se sentem como eu: jovens o suficiente para aprenderem e buscam exercitar o cérebro, fazerem amizades, etc. Elas são super interessadas, ativas mesmo. Sabem o quanto é importante poderem se comunicar em um idioma diferente e estão indo à luta. Na saída das aulas, uma delas faz caminhada comigo de vez em quando.
O mundo realmente dá muuuuuuuitas voltas, verdade? Agora eu já não sou a mais velha da turma J.  


Feliz dia! 
"Plágio é crime: Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998". 
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Eu recomendo

Esses livros fizeram parte da minha vida: me fizeram viajar no espaço e dentro do meu coração, nas partes mais íntimas do meu ser, me levaram a um sonho ou a uma realidade imagináveis.
De acordo com a minha memória vou preenchendo a lista. 
Se você tem uma sugestão, escreva-me!


- Nosso Lar (Emmanuel, Chico Xavier);
- O Evangelho Segundo o Espiritismo (Alan Kardec);
- Você pode curar sua vida (Louise Hay, auto-ajuda);
- Cem anoss de solidão (Gabriel Garcia Márquez);
- El sendero del amor (Nicholas Sparks, en español);
- As pontes de Madison County (Robert James Walker);
- Paula (Isabel Allende, en español);
- La casa de los espíritus (Isabel Allende, en español);
- La herbolera (Toti Martinez, en español);
- Maktub (Paulo Coelho);
- Veinte poemas de amor y una canción desesperada (Pablo Neruda, en español); 
- Donde el corazón te lleve (Susanna Tamaro, en español); 
- El penúltimo sueño (Angela Becerra, en español);
- La sonrisa etrusca (José Luis Sampedro, en español);




Feliz dia!
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