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Os 50 - Final

A vida lhe mostrou e lhe deu outras opções, mas jamais deixou de ser a menina do interior, filha de um militar potiguar e de uma dona de casa mineira: gente simples, de valores profundamente arraigados na honestidade e na boa educação.
Quando a solidão apertava se lembrava sempre dos braços fortes do pai quando a levava pra cama e a consolava quando ficava doente . Perder essa figura, que representava apoio/força, foi um golpe que nunca superou.
Os dias ensolarados na pequena praça em frente da casa, a turma de amigos sempre juntos na piscina, o amado Colégio Salesiano, os carnavais da cidade. Lembrar seus tempos de menina e as brincadeiras dos filhos quando pequenos amenizavam sua exaustão, a faziam sorrir saudosamente.
Conheceu pessoas que a fizeram recuperar a auto-estima e o fulgor nos seus olhos, mas o coração dorido ainda não tinha se recuperado dos golpes do passado. Por ser tão intensa, preocupava-se em não por o pé no acelerador da vida, pois descer ladeira abaixo e se estatelar era inevitável.
Tempos depois, quando já se conformava com a idéia de que não ia encontrar um companheiro tão sensível quanto ela, as linhas invisíveis da vida a conectaram com alguém muito diferente. Alguém que pode compreender suas atitudes, desacertos e valores. Alguém que a respeitou, e aceitou seus defeitos e virtudes. Alguém que quis se casar com ela e mostra-lhe o mundo que só era possível em sua imaginação.
Vive uma nova vida totalmente distinta, tenta não repetir os erros do passado e está consciente de que não é uma tarefa fácil. Com todas as diferenças desse novo mundo, ela está aonde o seu coração lhe levou.

J


Feliz dia! 
"Plágio é crime: Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998". 
Todos os direitos reservados.

Os 50 - Parte II

Com o passar dos anos as dúvidas se somaram à intensa melancolia. Deixou de gargalhar e sorrir com os olhos. O engano e o desamor lhe asfixiavam. Sentia-se como se já não fizesse parte desse mundo. Já não falava muito de si, pois reconhecia o quanto era repetitiva. Ouvir ópera lhe acalmava e a fazia desligar-se dos problemas. Sabia que os poucos e verdadeiros amigos, e sua analista compreendiam sua carência e seu apego emocional. Assim, aprendeu que a pior solidão era quando estava acompanhada. Ser mãe foi a única alegria que pode resgatar desses anos tão turvos, tão nebulosos.
Sua alma adoeceu e seu corpo também. Passou por sérias complicações até que um dia um médico amigo lhe advertiu que naquele ritmo não ia chegar até os 40 anos.  
Admitiu e sempre assumiu os erros. Depois de muito reflexionar resolveu mudar radicalmente no afã de poder recuperar sua vida.  Atendeu ao chamado que ouvia durante anos e voou para muito longe. A jovem que vivia pensando e realizando os sonhos dos outros passou a pensar um pouco mais em si. Não culpava a ninguém por sua situação. Só queria respirar outro ar, outra vida. Os sonhos, que estiveram hibernando, foram realizados depois de algum tempo, a base de muito sacrifício e perseverança. Perdoou-se. Adaptou-se. Dividiu-se entre trabalhos que nunca tinha feito e o novo estudo que os invejosos teimavam em dizer que não ia terminar. Em parte, o motivo desse comentário era porque ao longo do caminho entrou e saiu de seis faculdades diferentes, sem concluí-las, pois pensar nela mesma sempre ficava “pra depois”. 


(continua)
Feliz dia! 
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Os 50 - Parte I



Hoje completo 50 anos de vida e o blog completa 3 meses com mais de 1.500 visitas. Confesso que não esperava tanto. Essa data é especial em todos os âmbitos. Estou muito feliz com o que tenho aprendido por aqui, com os novos amigos que fiz. Tenho seguido blogs muito bons como vocês podem ver. Deixo meu agradecimento especial a Carla e a Nina, pelo incentivo e pelo carinho desde o meu comecinho. São blogs que eu amo ler e me sinto presenteada pela forma como abordam temas tão simples e profundos. Tanto aprendo que fico sempre ansiosa esperando pelo próximo post J.
 “Exorcizo-me ao escrever e quando crio algo liberto as cores da minha alma”. (Paulette Nascimento)
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A mulher que se olhava detidamente através do espelho tinha uma expressão interrogativa nos olhos sonolentos. Tentou visualizar as pequenas rugas ao redor dos olhos, da boca ou na testa. Encontrou umas poucas que apareciam mais ao sorrir! Nunca foi adepta dos cremes e loções, mas pelo fato de estar vivendo em um clima frio teve que comprar alguns para hidratar mais a pele. Sabia que atualmente as fotos de perfil já não eram bem vindas, pois aquela infeliz papadinha teimava em aparecer. Ria divertida quando lhe perguntavam se já tinha feito plástica no rosto, pois não acreditavam que era mãe de um casal de filhos tão adultos e avó de um 3º neto que está a caminho. Sim, tinha feito uma plástica há 8 anos atrás, depois de emagrecer 17 kg, com o intuito de retirar a flacidez das mamas e do abdômen. Apesar disso sentia que com o peso dos anos começava a aparecer uma dor aqui, outra ali e ela, que nunca freqüentou uma academia de ginástica (apenas nadava de vez em quando), passou a caminhar duas vezes na semana para melhorar fisicamente.
Mantinha o mesmo tom negro do cabelo: era escrava dos retoques da raiz a cada 20 dias mesmo que dissessem que era sexy o seu cabelo branco. Já não liga para os comentários de que cabelo longo demais envelhece. Hoje em dia ela age a seu bel prazer. Leu em algum lugar que com a idade já não damos tanta importância às opiniões dos outros. Seria maturidade? Pensava que não. A idade e as experiências nos ensinam que apenas deixamos de querer agradar tantos aos outros e pensamos mais em nós.
Ela foi uma menina quieta, muito tímida e sonhadora. Passou a infância e a adolescência imaginando o dia que pudesse ter uma grande festa de princesa com um enorme bolo de vários andares, balões coloridos enfeitando um grande salão, os pais e os irmãos sorrindo felizes. Cada vez que entra em uma livraria ou loja especializada em produtos de festas se lembra desse sonho e pensa que é por isso que a fascinação pelos adesivos e enfeites infantis, continuam vivos dentro dela. Inventava e improvisava como podia as festinhas dos filhos porque sabia bem o significado disso no imaginário de uma criança.
Teve muitos namoradinhos platônicos. Sonhava com um jovem encantador que pudesse ter o coração tão cheio de amor quanto o dela.  mas a vida a levou ao um caminho com muitas pedras, grandes desilusões e desamor. 

(continua)



Feliz dia! 
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